SONHAR A REALIDADE ??
Sonhei que sonhava.
Subia um morro alto, íngreme, campo aberto e gramado, lá em cima uma casa rústica de madeira. Meu pé afunda numa poça de lama macia e a sensação é deliciosa, quase sexual, o pé saindo e entrando na lama repetidas vezes. Achei que alguém poderia me ver nesta cena e prossegui. Logotipos tipo de padaria ou algo assim, num dizia “Siciliana” e mais um outro que não lembro o nome. O primeiro em vermelho com uma fonte sinuosa, o outro era azul e amarelo; “Deli”- alguma- coisa. Passavam soltos flutuando no ar, mas depois era como se eu os visse num cartaz ou alguém anunciando na televisão; percebi que era propaganda do show de hoje.Entrei numa casa, subi para o segundo andar. Me senti pesada e adormeci, até perceber vozes. Achei que acordei e tinha várias pessoas lá: alguns conhecidos e um cara grandão tipo viking. Eles estavam voltando do futebol e comentavam sobre o jogo. Estavam suados e tiravam a camisa, fazendo resenhas de quem jogou melhor. Um deles comentou que o violão ou guitarra que ele tocou não estava certo, não era o dele, algo assim. O grandão entra na sala ao lado. Alguém abre a porta e o grandão é surpreendido nu, trocando de roupa. Todos soltam risadinhas e chacotas, fazem piadas masculinas. Dois ou três celulares deles tocam, e todos têm o mesmo toque. Desço as escadas.Estou no chão, deitada, ouço vozes conhecidas e sinto mãos tentando me carregar. Acordo e vejo Martin, Fábio Cascadura e Ju. Fábio segura minhas pernas, os outros o corpo, eles tentam me botar na cama. Pergunto “o que foi, o que aconteceu?” Martin me diz que eles me encontraram dormindo ali no chão, e que iam me levar pra dormir na cama. Pensei “ué, será que apaguei aqui mesmo?” Rebato, digo que não estava dormindo. Digo: “vcs não estavam voltando do futebol e comentaram sobre isso? O cara não falou sobre o violão? O grandão não foi trocar de roupa?” Eles respondem que sim, e eu digo “tá vendo, eu estava lá, ouvindo tudo”. Estou na cama, dormindo. De olhos fechados ouço vozes vindo da sala, duas mulheres conversam. Continuo tentando dormir, mas o barulho me incomoda, presto atenção lá fora. Ainda na cama e de olhos fechados eu vejo a cena na sala: Ju conversa com a mãe dela, tem um cachorro na mesa com as duas, elas comentam sobre o vizinho e sobre umas feridinhas no corpo do cão. Quero levantar, abrir os olhos e não consigo; o corpo está muito pesado. Tento me mexer, inutilmente. Ainda de olhos fechados sinto como se alguém andasse ou sentasse sobre a cama; um lado afunda, depois o outro, depois aos meus pés. Fico incomodada, quero ver quem está ali, e num esforço enorme finalmente acordo e levanto. Não há ninguém no quarto, apenas o cachorro que derrubou um pequeno vaso de plantas que estava no chão. “Foi esse barulho que me acordou”, penso. O quarto tem duas portas uma do lado da outra num ângulo de noventa graus, uma delas dá para uma espécie de bosque interno bem bonito, verde e úmido. Faço o cachorro sair, fecho uma porta, encontro a mãe de Ju quando vou fechar a outra. Me despeço, digo que vou dormir mais um pouco. Volto pra cama, me deito novamente. Durmo.Acordei, finalmente. Acordei?
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