terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

UM RATO NA RODA TALVEZ ?!


o bicho vivia na mata; livre, selvagem, indomadocaçando se tinha fome, dormindo se tinha sono, copulando quando no cioo bicho era bicho soltoum dia, um pedaço de carne numa clareira, e o bicho seduzidoo bicho era sorrateiro, apanhava a barganha e fugia rápido, quase imperceptívele todo dia ele voltava naquele lugare todo dia havia pedaço de carne mais suculento que o anteriorconquistado pela oferta fácil e cada vez mais abundanteo bicho abriu a guarda o bicho acostumouo bicho foi aprisionadocolocaram-no numa gaiolatiraram-no do seu matoreproduziram seu ambiente em plástico naquele zooo bicho estava para ser vistoo bicho estava domadoo bicho era bicho cativodia após dia gente passava pelo seu cárcereolhavam-no com curiosidade, ofereciam-lhe alimentoesperavam ansiosamente o momento em que o bicho fosse bichotão agradável e seguro que ele fosse bicho dali de dentro! que deleite aquelas barras de ferro, que maravilha, finalmente temos o bicho!mas o bicho, murcho. sem vida. sem cor.sem saber se ainda era bicho, ou se era artefato“queremos ver o bicho rugir!”- diziame o adestrador cutucava o bicho, espezinhava o bicho, provocava o bichoo bicho rugia, toda a gente aplaudiadavam-lhe mais uma porção, e passavam adiante o próximo bicho, o próximo habitat inventadoe ficou assim até o seu fimcriado domesticado, esperando uma mão entre as grades, um pedaço de carne e um agrado, alguém qualquer que quisesse seu rugido murcho de bicho- espetáculo.


"O bicho, meu Deus, era um homem."Manuel Bandeira



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