O BECO AGRIDOCELÂNDICO DA PITTY
Ansiedade na noite anterior. Imaginando. Moleculando.Acordei cedo na manhã seguinte e fui juntar todas as coisas. Mala para um mês, equipamentos, chocalhos, violões, glockenspell, escaletas, tudo o que fizesse algum barulho interessante. Martin chegou. Fomos carregar o carro. Claro que não coube tudo. Tivemos que deixar o Moog e o ampli de violão para a próxima leva.Estrada. Trânsito pra sair de São Paulo. Fomos nos confiando no tal do Google Maps do celular, e ele nos mandou por um caminho alternativo muito doido. Selva total. Fomos adentrando cada vez mais, nos embrenhando, estrada de terra. De repente, não tinhamos mais sinal de celular. Estávamos por nós mesmos, no meio do mato, num lugar ermo com absolutamente nada em volta. Uma estradinha de terra esburacada e estreita, mal cabia um carro. Não tínhamos outra opção a não ser seguir adiante para ver no que dava, e o mato ficando cada vez mais alto, e a estrada cada vez menos visível. Parecia que ela ia afunilando, e a qualquer momento terminaria repentinamente num beco sem saída verde e denso. Sem sinal, fuck. A bolinha azul do GPS não andava nem por decreto. Subimos, descemos, buracos, um barraco solitário na lateral da não-estrada. Meio que aconteceu o que eu previa. Chegou uma hora que não tinha mais como ir adiante, e nem fazer o retorno porque não havia espaço. Achamos um jeito, e resolvemos voltar. “Vamos perguntar pra alguém”. Não havia viva alma por perto, e o único cidadão que cruzamos parecia saído de um road movie de terror. Ele mexia numas carnes cruas dentro de uma bacia imunda. “Não vou perguntar pra esse cara nem fodendo, Martin”. Voltamos a estrada toda até que enfim o celular deu um mini sinal de vida.
Nenhum comentário:
Postar um comentário